quarta-feira, junho 10, 2015

PostHeaderIcon O invisível elo


Muito difícil aceitar o erro. Fácil é apontar para o outro como a causa e o culpado de nossas próprias faltas e intolerância. Fácil é se sentir a vítima sem dó nem piedado do outro que estamos tentando prejudicar só por pura desonestidade em não aceitarmos quantas coisas erradas já fizemos e continuamos fazendo, sabendo. Uma família quebrada. Elos perdidos, idos. E será que algum dia existiram? 
Quando eu era criança, vi muita coisa. Assisti aos adultos se comportarem como se as crianças não entendessem nada e não estivessem nem aí para o que se passava. Vi muita coisa ser aceita porque a sociedade, a religião diziam ser corretas. Vi e ainda vejo muita gente sofrendo por estarem presos as idéias machistas que assombraram a minha vida um dia. Não, eu não quero passar essas regras desse tesouro podre para a minha filha. O que mais quero é que ela seja livre para fazer as próprias escolhas e que respeite o espaço do outro. Que tenha a dignidade de encarar os próprios monstros, aceitar seus erros e pedir desculpa quando necessário. 
Meus pais erraram muito, eu sei. Também vou cometer meus muitos erros na criação de minha filha, mas vou em paz com a minha conciência de que estou fazendo o que eu penso ser melhor e espero ser perdoada um dia assim como também tento perdoar. Nunca passei fome, sempre tive onde morar e estudei em boas escolas. Mas, uma infância repleta de brigas não me ajudou em nada. Antes meus pais tivessem se separado logo cedo do que terem optado por carregar um casamento fracassado e cheio de dor. Passei anos e anos e anos e anos de minha vida tendo pesadelos que sempre remetiam àquela casa onde passei minha infância. Sonhava com o mar com muita frequência querendo me engolir, me ameaçando tirar o fôlego, a vida. Quão agradável é acordar assustado repetidas vezes? Demorei para entender, captar e enfim, aceitar de onde tudo aquilo vinha. E, graças ao Bom Deus, já não tenho mais esses pesadelos horrorosos! Mas, tive que botar muita coisa pra fora. Tive até que magoar algumas pessoas para que eu me curasse do mal que me apunhalava pelas costas. E isso mexeu em outras feridas também. Só que eu precisava disso. Eu precisava. Assim como também estou precisando agora e o outro não me entende e ainda quer passar a espada para as minhas mãos como se eu a tivesse usado anteriormente. Não, eu não estou mentindo. E eu não estou dizendo isso para me livrar de nenhum peso. Cada um que leve sua carga.
A minha mãe está doente. Quase 70 anos de uma vida sofrida. Ninguém entende. Ninguém vê. Anos e mais anos se passaram até que ela caísse doente de verdade. E o escárnio continua nas costas delas também. Os outros continuam pisando no ser quase que desfalecido. Eu devo dizer "Viva o egoísmo"? Devo concordar com o bate-boca ou apenas me calar e esperar o circo pegar fogo? 

Mainha, mesmo estado longe, nunca estive tão perto.

Paz. Eu quero paz.

2 comentários:

rose disse...

Eliiiis! Quanto tempo! Ja tinha desistido de achar que voce voltaria! Passei so mais uma vez por acaso e que surpresa! Sinto muito pela sua maezinha doente.... Melhoras 'a ela e que Deus proteja, guie, conforte e ilumine seus caminhos nesses momentos dificeis. beeijOs, rose, from japan

Elis disse...

Rose, fico feliz que tenha aparecido!! Eu não tinha como entrar em contato contigo e, muita gente sumiu da vida blogueira também. Vc está pelo facebook?

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