sábado, fevereiro 11, 2006
Arriscar requer uma dose de coragem - e medo.
"Não quero no meu barco nenhum homem que não tenha medo de baleia." Essa foi a frase com que o Capitão Acab recebeu os tripulantes a bordo do seu navio Pequod antes de zarparem em busca de Moby Dick,a colossal baleia,o monstro dos mares.Ele queria a baleia como queria a própria vida.Assumiu o risco de caçá-la,mas respeitava sua força e seus domínios.A baleia ganhou a luta - nós sabemos,tá no livro! - mas,sua vitória sobre o homem não simboliza a imprudência humana,antes é um alerta ao valor da cautela.
Ninguém tem sucessos sem enfrentar os desafios,eu acho.Aliás,está ficando cada vez mais claro pra mim.Vamos aprender com os heróis mitológicos : Prometeu roubou o fogo dos deuses e por isso foi condenado a ter seu fígado comido por abutres pela eternidade.Ícaro foi imprudente e voou perto do sol com suas asas de cera e penas.Esta derreteu ao calor solar e ele caiu.Belorofonte (acho que desse ninguém nem ouviu falar muito),montado em Pégaso,matou a Quimera e voou para exibir-se até as proximidades do Olimpo,enraivecendo Zeus.Este assustou Pégaso e derrubou o herói,que passou a vagar coxo e em desgraça.O que essas passagens da mitologia tem em comum?Todas recomendam 2 coisas : assuma o risco,mas prepare-se para ele!As divindades mitológicas gostam dos ousados mas,não toleram os imprudentes.
É matemático : quem não tenta não corre riscos,mas também nada consegue.Aprendemos a caminhar porque tentamos e não desanimamos por causa dos primeiros tombos,ou seja,das primeiras derrotas - sem elas ainda estaríamos engatinhando.Roubamos o primeiro beijo correndo o risco de levar um tapa; conseguimos o primeiro emprego arriscando-nos a levar um rotundo "não"; passamos no vestibular sob o risco de reprovar,como a maioria.Não haveria a menor possibilidade de conseguir qualquer uma dessas vitórias sem a predisposição a suportar o fracasso.Esse é o risco.Ora, pessoas dizem que irão apenas "tentar" estão querendo dizer,antecipadamente,que não conseguirão,pois,afinal,"era difícil,e tudo não passou de uma mera tentativa."Essa é a tentativa pela tentativa,sem compromisso com o resultado.A derrota que deriva dessa tentativa inglória não tem importância,é acobertada pela própria pequenez.O compromisso com a tentativa é bem diferente do compromisso com o sucesso.Ou seja,não conseguir o resultado esperado causa aprendizado,e , por outro lado,reforça a certeza de conseguir o que se pretende na próxima tentativa,até porque agora já se conhece o caminho errado.
A coragem transita entre o medo e o não-medo - supera o primeiro e ri do segundo.O corajoso não é um imprudente.Ele tem medo ,mas vence,não por bravata,mas por preparar-se para enfrentar as dificuldades denunciadas pelo medo.Não ter medo significa não ter apego á própria condição de ser vivo,podendo,assim ser interpretado como uma patologia.Não é bom não ter medo.
Estes são sinais de que devemos nos abster de ariscar?Não,é claro.São avisos de que riscos devem ser assumidos,desde que minimizados pela prudência.Essa é uma dobradinha poderosa.Em "Mar Português",um dos seus poemas mais repetidos,Fernando Pessoa recomenda o risco calculado quando lembra que "ao mar,Deus deu perigos e abismos,mas nele é que espelhou o céu."Fui compreendida?
Ninguém tem sucessos sem enfrentar os desafios,eu acho.Aliás,está ficando cada vez mais claro pra mim.Vamos aprender com os heróis mitológicos : Prometeu roubou o fogo dos deuses e por isso foi condenado a ter seu fígado comido por abutres pela eternidade.Ícaro foi imprudente e voou perto do sol com suas asas de cera e penas.Esta derreteu ao calor solar e ele caiu.Belorofonte (acho que desse ninguém nem ouviu falar muito),montado em Pégaso,matou a Quimera e voou para exibir-se até as proximidades do Olimpo,enraivecendo Zeus.Este assustou Pégaso e derrubou o herói,que passou a vagar coxo e em desgraça.O que essas passagens da mitologia tem em comum?Todas recomendam 2 coisas : assuma o risco,mas prepare-se para ele!As divindades mitológicas gostam dos ousados mas,não toleram os imprudentes.
É matemático : quem não tenta não corre riscos,mas também nada consegue.Aprendemos a caminhar porque tentamos e não desanimamos por causa dos primeiros tombos,ou seja,das primeiras derrotas - sem elas ainda estaríamos engatinhando.Roubamos o primeiro beijo correndo o risco de levar um tapa; conseguimos o primeiro emprego arriscando-nos a levar um rotundo "não"; passamos no vestibular sob o risco de reprovar,como a maioria.Não haveria a menor possibilidade de conseguir qualquer uma dessas vitórias sem a predisposição a suportar o fracasso.Esse é o risco.Ora, pessoas dizem que irão apenas "tentar" estão querendo dizer,antecipadamente,que não conseguirão,pois,afinal,"era difícil,e tudo não passou de uma mera tentativa."Essa é a tentativa pela tentativa,sem compromisso com o resultado.A derrota que deriva dessa tentativa inglória não tem importância,é acobertada pela própria pequenez.O compromisso com a tentativa é bem diferente do compromisso com o sucesso.Ou seja,não conseguir o resultado esperado causa aprendizado,e , por outro lado,reforça a certeza de conseguir o que se pretende na próxima tentativa,até porque agora já se conhece o caminho errado.
A coragem transita entre o medo e o não-medo - supera o primeiro e ri do segundo.O corajoso não é um imprudente.Ele tem medo ,mas vence,não por bravata,mas por preparar-se para enfrentar as dificuldades denunciadas pelo medo.Não ter medo significa não ter apego á própria condição de ser vivo,podendo,assim ser interpretado como uma patologia.Não é bom não ter medo.
Estes são sinais de que devemos nos abster de ariscar?Não,é claro.São avisos de que riscos devem ser assumidos,desde que minimizados pela prudência.Essa é uma dobradinha poderosa.Em "Mar Português",um dos seus poemas mais repetidos,Fernando Pessoa recomenda o risco calculado quando lembra que "ao mar,Deus deu perigos e abismos,mas nele é que espelhou o céu."Fui compreendida?
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1 comentários:
Parabens pelo dom que Deus te deu em perceber os momentos e as situações da vida, captá-los e externá-los de forma tão perfeita em um texto lindo. Parabens!
Você é, realmente, surpreendente!
Jonathan
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