terça-feira, agosto 16, 2016

PostHeaderIcon Mais um sonho

A cena se passou no banheiro. Eu tinha que entrar lá. Olhava pro chão e via insetos e, algumas baratas pequenas, porta entre-aberta, lugar escuro. Eu tinha que entrar ali. Precisava de àgua. Precisava tomar banho, me limpar. O interessante é que quando eu olhava pra mim - de cima - até por que eu era eu, mas conseguia me ver de cima como numa visão tridimencional - eu sabia que estava limpa. Nesse momento pra frente, me vinham aquelas imagens de quando eu era criança e tinha que ir ao banheiro escuro da nossa casa. Não é que não tivesse luz, energia. Na minha cabeça, era tudo escuro. Foi mais um sonho. Mais uma vez. Que eu me lembre, não tinha inseto e nem baratas no banheiro quando eu era criança. Mas, nos meus sonhos naquele banheiro escuro, sim. Eu sempre acordo ofegante e ao mesmo tempo dando graças a Deus por não estar mais lá naquele capítulo da minha vida. Feliz porque passou e hoje já não é mais real. É só um sonho. Um sonho a mais. 
Como a nossa infância é importante! Antigamente, as pessoas pensavam que as crianças nada absorviam e se esqueciam de qualquer coisa que se passasse com ela. Puro engano. Eu nunca fui assim e sabia que com os outros seria a mesma coisa. Por iss, nunca quis ter uma crianca se não pudesse dar pra ela um lar, um pai de verdade e que se importasse com ela, uma família. Tive muitas oportunidades, mas sempre pensei muito e resisti pelo simples fato de nunca querer dar aos meus filhos um pai que se parecesse com o pai que só tive e tenho no papel. Com toda honestidade, preferiria ter ficado sem filho se fosse pra ser como foi comigo. Eu já me castiguei muito por isso, já me cobrei demais, já cansei de ser a vítima também. Depois dos meus 30 anos, eu só procurei tentar perdoar tudo. Não tem sido fácil e eu ainda sinto o calor das lágrimas querendo chegar. Mas, já não prendo o choro e sei conversar facilmente sobre o assunto. Já ele...continua do mesmo jeito - talvez pior. Mas, a minha parte, eu fiz e continuo fazendo. Deixou de doer? Não. Só que agora eu converso com a minha dor, a abraço, a deixo ir...
Eu quero fazer parte de um mundo melhor. Me sinto elevada com relação ao mar agitado que um dia foi a minha vida. Vez por outra, escuto comentários de que só falo de minha mãe e meu irmão e que parece que só existem eles na minha vida. Isso é verdade. Sabe por que? Tenho aprendido a só gostar de quem gosta de mim. Eu não preciso sofrer dobrado, preciso? E se acham que eu não fiz a minha parte tentando entender e até procurando uma reaproximação, estão errados. Mas também não vou ficar sem fôlego pra sempre, né? Deu tempo de me resgatar. E, aquele banheiro, onde um dia vi a minha mãezinha caída logo após se entupir de remédios pra escapar daquela vida, não passa de um sonho, um simples sonho que ainda me perturba uma vez ou outra, mas já não é real...agora eu já tenho forças pra acordar. 

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